A Mocho Edições é resultado da união das trajetórias e dos projetos em comum da Deborah Leanza e do Tiago Jonas.

Deborah é historiadora, pesquisadora e editora. Das travessias entre Salvador, Beagá, Rio de Janeiro e Campinas, surgiu a bio-brincadeira de que foi amamentada com dendê, alfabetizada com pão de queijo e, já letrada, ao chegar do Rio no interior de São Paulo, tachada como a "estranha 'carioca' que lê dicionário, gosta de tabuada e de brincar com as conjugações dos verbos". Ela nem sabia que poderia ser editora um dia. Foi quase jornalista, depois quase advogada, até que a faculdade de História a fisgou e abriu muitas veredas.
De lá pra cá, tornou-se mestre em História, professora, pesquisadora acadêmica e em projetos de arqueologia histórica, coautora de um livro de histórias e receitas culinárias, copartícipe nos rumos e nas tramas do filho adolescente, escritora de textos tão variados quanto secretos e, nos últimos anos, editora e coordenadora de produções didáticas de História, Geografia, Arte, Ciências e coleções multidisciplinares. Acredita que o decreto da morte do livro é uma mentira de perna curta e que as ideias grafadas no suporte físico sempre (sobre)viverão em reinvenções sem fim.

Tiago, por birra, tentou trilhar caminho diverso de sua família de intelectuais soteropolitanos. Começou a vida acadêmica cursando engenharia química na UFBA, mas estranhas cartas enviadas pelo irmão enquanto cursava filosofia em Montreal o deixaram intrigado e fascinado. A convite desse irmão, teve um encontro com um professor de filosofia – um fanfarrão com nítidos problemas de caráter, mas de retórica arrebatadora – que embaralhou os caminhos planejados. Aos 21 anos, abandonou a engenharia e mudou para o curso de química, começou a chafurdar na literatura e na filosofia e a fotografar loucamente (quando a grana permitia), se interessando principalmente pelo erotismo. A fotografia nunca mais abandonou.
Desnorteado com as leituras e as imagens e golpeado pela falta de grana e de perspectiva, mudou de Salvador para o Rio de Janeiro, onde se graduou em química na UFRJ, e, em seguida, do Rio para São Paulo, onde se tornou doutor em Bioquímica e constatou seu fracasso como cientista-pesquisador. Seu amigo, Luis Fernando Furtado, soprou-lhe um caminho: “Há a edição de livros didáticos”. Desde então, foi tragado por esse universo como se a ele sempre pertencesse. Há mais ou menos um ano coadministrou uma pequena editora, pela qual lançou dois livros. Agora são outros quinhentos.

Essa concretização tem muito de amigos que nos incentivam e nos inspiram e tantos outros parceiros que farão parte da nossa grande equipe e rede editorial. A Mocho já nasceu com vários projetos em andamento, sinal da confiança que muitos autores e amigos depositam em nossa proposta. Agradecemos imensamente.
Passamos a integrar o grupo Coesão Independente, uma incrível rede de trocas, apoio mútuo e valorização das editoras independentes do país.